O Hospital Juliano Moreira (HJM) realizou nesta segunda-feira, 15 de junho, um bate-papo na sala de espera do ambulatório da unidade de saúde para conscientização sobre transtornos alimentares, que são doenças psiquiátricas multifatoriais identificadas como: anorexia, bulimia e compulsão alimentar. O tratamento dessas doenças é complexo e envolve uma abordagem multidisciplinar, pois se apresentam como uma perturbação grave que impacta diretamente na qualidade de vida do indivíduo e apresentam, ainda, as maiores taxas de mortalidade dentro dos transtornos mentais. A atividade teve como facilitadoras a nutricionista Juliana Nóbrega, a terapeuta ocupacional Jussara Pinheiro e a psicóloga Dinúbia Araújo.
“O primeiro passo é desmistificar o que impulsiona esses comportamentos, para ajudar a identificar os pequenos sinais que o corpo emite. Saber enxergar o que está motivando comportamentos de restrição ou comportamentos compulsivos é de suma importância porque comida e sentimentos estão entrelaçados. Então se estamos tristes ou felizes isso vai acabar motivando ou inibindo o apetite. Nesse contexto, a equipe multidisciplinar tem o papel de auxiliar o paciente a perceber que precisa de ajuda, fazer o acompanhamento dos pacientes para que ele tenha êxito no tratamento”, explicou Juliana Nóbrega, nutricionista do HJM.
De acordo com o Ministério da Saúde, os transtornos alimentares são condições psiquiátricas caracterizadas por alterações persistentes nas refeições ou em comportamentos relacionados aos hábitos alimentares. Quando há alteração no consumo ou na absorção de alimentos, isso afeta a saúde física e mental do indivíduo. A Associação Brasileira de Psiquiatria estima que mais de 70 milhões de pessoas no mundo sejam afetadas por algum transtorno alimentar. “O alimento é algo que nos relacionamos desde o nascimento, mas é a partir da adolescência que os transtornos afloram baseados em sentimentos de medo e de culpa”, pontuou a TO, Jussara Pinheiro.
A anorexia nervosa e a bulimia apresentam grande incidência entre os jovens. As mulheres são as mais acometidas por esses distúrbios, sendo a anorexia a de maior incidência no público de 12 a 17 anos e a bulimia se mostrando mais presente no início da vida adulta. Na anorexia nervosa a pessoa restringe a alimentação, geralmente iniciando com uma dieta comum e, com o passar do tempo, essa limitação se intensifica, levando a grande perda de peso. O jejum recorrente também faz parte das características apresentadas pelo transtorno. Muitos quadros de anorexia acabam levando à desnutrição.
Na bulimia, em situações recorrentes, o indivíduo ingere uma grande quantidade de alimentos num espaço curto de tempo e, em seguida, passa a utilizar ‘métodos compensatórios’ para evitar o ganho de peso, que incluem a indução de vômito e o uso de laxantes e diuréticos.
O transtorno de compulsão alimentar envolve episódios recorrentes de comer uma quantidade maior do que a habitual, em pouco tempo, com sensação de perda de controle e sofrimento depois. A compulsão pode estar associada a estresse, ansiedade, tristeza, privação alimentar, dietas muito restritivas, alterações do sono, impulsividade e dificuldade de lidar com emoções. “A conscientização por meio da troca de experiências é muito importante”, afirmou a psicóloga Dinúbia.
Créditos Autor: Yasmim Marinho
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