Ex-presidente de Portugal à epoca Alto Representante da Aliança das Civilizações conversou com Monica Grayley e Leda Letra, horas antes de retornar a Portugal no lobby do hotel em que estava hospedado em Nova Iorque, em 21 de dezembro de 2012.
Jorge Sampaio falou sobre seu trabalho às vésperas de deixar o posto, o que ocorreu em 31 de dezembro no mesmo ano.
Ele discorreu sobre a importância da tolerância entre diferentes culturas e tradições e reforçou o compromisso com os valores das Nações Unidas de paz e segurança, diálogo e cooperação.
O ex-presidente condenou ondas de violência, fanatismo religioso e extremismo em várias partes do mundo.
O ex-líder de Portugal também comentou as relações entre Portugal e Brasil e as demais nações de língua portuguesa e como essas pontes foram reforçadas nas últimas décadas após a criação da CPLP.
“Eu acho que portugueses e brasilieros são especialmente tolerantes. E isso é uma coisa que não se constroi com facilidade. Quer dizer, as pessoas se habituaram, por razão da sua formação. Nós porque fizemos os Descobrimentos, porque fomos por toda parte, também fizemos coisas péssimas, mas algumas coisas muito positivas e importantes. Vocês porque foram um misto como todos sabemos, nem sempre agradáveis do ponto de vista de algumas coisas históricas, mas por outro lado, criaram um ambiente extraordinário de gente que veio de toda parte, não é? Não é só portugues, como é óbvio, pelo contrário, de portugueses e muitos outros, e isso é algo que é muito difícil de se fazerm, dentro de um quadro democrático que alguns países têm, e isso também devemos ajudá-los a preservar, e nesse combate sem tréguas contra extremsmo, fundamentalismo, o dogmatismo religioso e tudo que isso acarreta, que no fundo se baseia, a meu ver, em falta de conhecimento, em interpretações rígidas daquilo que são digamos assim as aspirações religiosas das pessoas, que são todas elas conhecidas e todas elas importantes, mas daí a passarmos para radicalismos e dogmatismos, vai um grande salto que não pode ser deixado à solta, e tem que ser travado, vis-a-vis experiências como a do Brasil, e se me permite, a de Portugal que, não tendo a mesma influência, tem todavia a mesma capacidade de poder demonstrar que hoje, em Lisboa, há, sei lá quantas religiões que se praticam em todos os templos, todas os credos religiosos e isso, obviamente no Brasil nem vale a pena falar, porque é por toda a parte. Isso tem que ser aberto e tem que ser conhecido. A sociedade brasileira é um exemplo de tolerância e diversidade perante o mundo. ”
Jorge Sampaio morreu na sexta-feira, em Portugal, aos 81 anos após complicações respiratórias.
Em nota, o secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou a liderança de Sampaio e afirmou que havia perdido um amigo.
Aviso: Áudio precário no vídeo. Para melhor qualidade de aúdio acesse o link original da entrevista na página da ONU News:
https://news.un.org/pt/audio/2012/11/1046931
https://news.un.org/pt/audio/2012/12/1051751

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