Arraiá do Creasi promove saúde, memórias afetivas e socialização

O clima junino tomou conta do Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso (Creasi) durante a realização do tradicional “Arraiá do Creasi”, nesta segunda-feira (8). O evento reuniu pacientes, familiares e trabalhadores da unidade em uma manhã marcada por muita música, karaokê, dança, comidas típicas e arrasta pé, ao som da banda Forró Coisa Boa. Para além de celebrar uma das festas mais tradicionais do Nordeste, o encontro teve um importante caráter terapêutico, com benefícios que vão além da diversão.

Eventos são essenciais para estimular a socialização, fortalecer vínculos afetivos e incentivar a mobilidade física e o bem-estar emocional das pessoas idosas atendidas pela unidade. Para a psicóloga do Creasi, Milena Franco, a atividade desempenha um papel fundamental na promoção da saúde: “São momentos que favorecem a integração social, o relacionamento entre diferentes gerações e o fortalecimento dos vínculos comunitários. Também aproximam os profissionais de saúde das pessoas idosas e de seus cuidadores”, explica.

A socialização é um dos pilares para a qualidade de vida na velhice, com benefícios visíveis aos pacientes, frágeis ou em risco de fragilização, que são atendidos no Centro. A música, a dança e as tradições populares também funcionam despertando memórias afetivas, tendo uma relação direta com a trajetória desses indivíduos. Durante o Arraiá, muitos pacientes relembraram momentos marcantes da infância e da juventude, fortalecendo conexões com suas histórias de vida e com suas famílias. “Para as famílias é emocionante perceber como muitos idosos continuam capazes de cantar, dançar e demonstrar felicidade. Esses encontros são esperados durante o ano todo e trazem sentido de vida, para muitos dos nossos pacientes”, destaca a fisioterapeuta Maíra Menezes.

Momentos festivos trazem também sentimentos de saudade e recordação. Paciente do Creasi há quatro anos, Renilda de Oliveira, 77 anos, guarda com carinho a memória das iguarias feitas pela mãe durante os festejos juninos. “Gostava muito do São João. Minha mãe fazia uma empada salgada que eu adorava. Depois que perdi meu filho e meu neto, veio a depressão e hoje para mim nada tem graça. Mas estou aqui. A festa daqui é uma maravilha, todo ano eu venho”, desabafa Renilda. Para Maria Arailda Peixoto, 76 anos, a saudade é das antigas visitas entre vizinhos durante o período junino: “Sinto falta de andar de casa em casa tomando licor, das famílias reunidas pelas ruas. Hoje isso quase não existe mais”, declara.

Ao unir cultura, lazer e cuidado, o Arraiá do Creasi reafirma a importância de iniciativas que valorizam a convivência social e a memória afetiva no processo de envelhecimento. Entre músicas, danças e reencontros, essa festa anual mostrou que cuidar da saúde também passa por criar oportunidades de alegria, pertencimento e conexão com a própria história. “Adoro o São João do Creasi. Já é a terceira vez que participo e posso dizer que o Creasi faz parte da minha vida!”, conclui Dona Arailda.

Créditos Autor: Jamile Amine
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