A Bahia intensifica, em outubro de 2026, as ações de enfrentamento à sífilis e à sífilis congênita, reforçando a importância da prevenção, do diagnóstico oportuno e do tratamento adequado. Como parte dessa mobilização, foi realizado, no dia 14 de outubro, o seminário “Sífilis: Próximos passos para Eliminação da Transmissão Vertical!”, com o objetivo de fortalecer as estratégias de prevenção e qualificar a assistência prestada à população baiana.
A iniciativa integra as ações do Outubro Verde, campanha dedicada à conscientização e ao enfrentamento da sífilis e da sífilis congênita. O encontro busca articular e atualizar gestores, profissionais de saúde, parceiros institucionais e representantes do controle social, promovendo o diálogo e a construção conjunta de estratégias para avançar na eliminação da transmissão vertical da infecção.
Durante o evento, foram discutidas estratégias para fortalecer a atuação integrada da Atenção Primária à Saúde, da Vigilância Epidemiológica e da assistência nas maternidades, destacando a importância da articulação entre os diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde. Essa integração é fundamental para ampliar o acesso ao diagnóstico, assegurar o tratamento adequado das gestantes e de suas parcerias sexuais, fortalecer o acompanhamento pré-natal e prevenir a transmissão da sífilis para o bebê.
Ao apresentar as experiências desenvolvidas pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), Eleuzina Falcão, coordenadora de Vigilância Epidemiológica de Doenças e Agravos Transmissíveis, destacou a importância de adaptar as estratégias de prevenção e diagnóstico às realidades dos diferentes públicos e territórios, especialmente das populações que enfrentam dificuldades para acessar os serviços de saúde nos horários convencionais.
“Precisamos entender que existe uma população importante que trabalha em horários que não coincidem com o funcionamento das nossas unidades básicas de saúde. Enquanto as unidades funcionam durante o dia, muitas dessas pessoas estão descansando ou se preparando para trabalhar à noite. Por isso, precisamos adequar nossas estratégias à realidade da população”, ressaltou Eleuzina.
Como exemplo, a coordenadora citou as ações realizadas durante os festejos juninos de 2025, quando foram montados estandes em diferentes momentos das celebrações de Santo Antônio, São João e São Pedro em 16 municípios do estado. A iniciativa priorizou o atendimento à população do entorno e aos trabalhadores do comércio informal, além do público dos eventos, possibilitando o diagnóstico e o acompanhamento do tratamento dos casos identificados.
Segundo Eleuzina, a estratégia permitiu que pessoas diagnosticadas na primeira semana iniciassem o tratamento com penicilina, dessem continuidade nas semanas seguintes e concluíssem o esquema terapêutico previsto. A experiência reforça a importância de aproximar os serviços de saúde das populações em situação de maior vulnerabilidade e de garantir o cuidado contínuo, para além da realização dos testes.
A coordenadora também destacou a dimensão das ações de testagem promovidas durante grandes eventos populares. De acordo com os dados apresentados, foram realizados mais de 65 mil testes durante o São João e mais de 50 mil no Carnaval, por meio da estratégia de testagem em pontos fixos e de grande circulação. Os números se somam às ações realizadas pelos Serviços de Atenção Especializada (SAE), Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e demais unidades da rede de saúde.
Eleuzina enfatizou, ainda, o trabalho de monitoramento dos indicadores epidemiológicos, o apoio técnico às regiões de saúde e aos municípios, as visitas às maternidades, a atualização de protocolos e a qualificação dos profissionais. Também ressaltou a importância da investigação dos casos de sífilis congênita e das iniciativas de cofinanciamento estadual voltadas ao fortalecimento das ações municipais.
“Seguimos fortalecendo as estratégias para a eliminação da transmissão vertical da sífilis por meio de capacitações, monitoramento e recomendações técnicas, reafirmando nosso compromisso com as metas internacionais e, principalmente, com a saúde da nossa população. Precisamos garantir uma atenção com compromisso, responsabilidade e uma devolutiva que se traduza em melhoria da qualidade de vida e da saúde”, afirmou a coordenadora.
A eliminação da transmissão vertical exige atuação contínua e integrada, desde o pré-natal até a assistência durante o parto e o acompanhamento do recém-nascido. Nesse processo, a identificação precoce dos casos, o tratamento oportuno, o seguimento adequado e a vigilância epidemiológica são medidas essenciais para reduzir riscos e qualificar o cuidado materno-infantil.
A programação do seminário também contempla a discussão sobre o manejo da sífilis em gestantes, com abordagem dos cuidados desde o pré-natal até o pós-parto. A atividade contribui para atualizar os profissionais de saúde sobre condutas assistenciais e reforçar a importância da identificação e do tratamento oportunos durante a gestação.
O público-alvo inclui coordenadores e referências técnicas dos Núcleos Regionais de Saúde (NRS) e das Bases Regionais de Saúde, coordenadores dos Serviços de Atenção Especializada (SAE), apoiadores da Atenção Primária à Saúde, profissionais dos Núcleos Hospitalares de Epidemiologia e trabalhadores da assistência nas maternidades.
No contexto do Outubro Verde 2026, a mobilização reforça que a eliminação da transmissão vertical depende do compromisso compartilhado entre serviços de saúde, profissionais, gestores e sociedade. Investir na prevenção, no diagnóstico oportuno e no cuidado integral é fundamental para proteger a saúde das gestantes e dos bebês e avançar na construção de uma Bahia cada vez mais preparada para enfrentar a sífilis.
Créditos Autor: yasmim.carneiro
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